Os reais efeitos dos atentados em Boston

É obvio que não se deve nem discutir a gravidade dos eventos de Boston e o quanto isso pode influenciar o mercado financeiro, mas vamos colocar alguns pontos que explicam o porquê da reação dos mercados na terça-feira.

1º A magnitude.

Mesmo a ocorrência de três mortes, o evento foi pequeno. Aliás, o ataque foi menor do que a média conseguida em países como Afeganistão e Iraque. Ontem mesmo, 9 pessoas morreram num atentado terrorista suicida no Afeganistão.

2º Não existem culpados identificáveis.

Neste momento, pode-se ter certeza que equipes forenses estão trabalhando a toque de caixa para identificar o autor(es), porém, ninguém se arrisca a citar um grupo ou nacionalidade específica.

É só lembrarmos que talvez o segundo pior ataque terrorista em território americano foi perpetrado por um americano. Timoty McVeigh explodiu uma van abarrotada de fertilizantes, produtos químicos e combustíveis na frente do complexo governamental Alfred P. Murrah, matando 168 pessoas, entre elas 19 crianças e 800 se feriram.

Era uma retaliação ao cerco de Waco, dois anos antes, onde 82 Davidianos foram mortos e 11 presos após 50 dias de impasse.

Além disso, num momento sensível como o atual devido às tensões com a Coreia do Norte, uma das piores coisas que poderia ocorrer seria a identificação de um autor de olhos puxados.

Até mesmo o mais conservador dos americanos não tem opinião formada sobre a autoria dos ataques.

3º Os ataques são amadores.

Assim como a van com explosivos encontrada na Times Square há 3 anos, na tentativa mal sucedida de ataque pelo paquistanês Faisal Shahzad e da bomba na cueca de Umar Farouk no natal de 2009, os mais recentes ataques de fundamentalistas islâmicos estão marcados pela precariedade.

O fim de Bin Laden foi o coroamento dos esforços dos EUA no combate ao terrorismo, após os fracassos do Iraque e do Afeganistão. Todavia, sua morte foi mais um evento simbólico do que prático, pois desde 2005, a Al Qaeda tem sido desmantelada em diversos países e tem muita dificuldade em se reorganizar.

Caso se confirme a autoria da Al Qaeda, essa pode ser, incrivelmente, uma boa notícia. Mostra que a segurança nos EUA tem dificultado em muito o terrorismo e que grandes ações foram substituídas por movimentos quase de guerrilha, devido à incapacidade da Al Qaeda de efetuar algo mais significativo em território americano.

Para se entender essa magnitude, foram enviadas cartas com traços de óleo de semente de mamona, considerado venenoso, mas totalmente amador. A possibilidade de alguém morrer com isso é mínima.

Portanto, independente da nacionalidade, os ataques são fracos.

4º O mercado desistiu de ligar

Parece horrível, porém o mercado financeiro não apresentou as perdas de segunda-feira (15/4) devido aos ataques. Já havia um sell-off instalado nos mercados e os eventos serviram de catalisadores, porém não formadores.

A preocupação com o crescimento chinês pesou muito mais e tende a ser reduzida com as declarações de Jin Liqun, oficial do fundo soberano chinês, que disse que o crescimento chinês permanecerá em níveis sustentáveis e por isso não existe motivo para pânico. Do lado negativo, um auditor na China alertou que a dívida do governo local está “fora de controle” e pode deflagrar uma crise pior que a americano.

Na linha inversa, os balanços tem mostrado que, além dos estímulos do governo, as bolsas têm subido devido ao crescimento das empresas nela listadas, portanto de maneira sustentável. Isso foi verdade no trimestre anterior e parece se repetir neste.

Ou seja, por mais que alguns odeiem isso, Tio Ben está certo!

Mesmo assim, a necessidade de correção dos ativos, principalmente os de maior risco ainda é grande, mesmo após a queda das bolsas no início da semana. O cenário se reverteu novamente para perdas nas commodities metálicas, porém os preços se pressionaram em commodities agrícolas. É isso aí, o apetite pelo prêmio de maior risco continua alto.

Mais importante que tudo, o que potencialmente pode gerar um grande estresse mundial é o sucesso de um pretenso ataque dos norte coreanos ou uma provocação que chegaria ao ponto de envolver a China ao lado de Kim Jong Un (algo beeem difícil neste momento). Daí sim estaríamos falando de eventos de magnitude internacional.

De resto, devemos ficar atentos aos indicadores da Europa, pois afinal, nada mudou efetivamente para o positivo no velho continente, principalmente a atividade econômica.

 

 

 

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Jason Vieira é o Editor-Chefe e Diretor Geral da MoneYou e executivo sênior da X-Infinity Invest. Com mais de 20 anos de mercado, já ocupou cargos de estrategista, CIO, economista-chefe e analista internacional em instituições como Apregoa.com, UpTrend Advisors, GRC Visão, KGP, CM Capital Markets, Sanwa Bank, CLSA, JP Morgan, Santander, entre outras. Economista formado pela Universidade Mackenzie, possui diversas extensões de mercado financeiro e economia, com forte foco internacional.
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