Brasil: A Capacidade de sua Gente de se Reinventar

Sem pestanejar, o Brasil não tem estrutura suficiente para contabilizar crescimento econômico da ordem de 7% a 9% ao ano por mais de dois períodos consecutivos, como ocorre com alguns países emergentes como Índia e China. Infelizmente, nem mesmo se houvesse uma agenda séria de reformas estruturais como a tributária, trabalhista, previdenciária e política, que travam o crescimento econômico, seria possível vislumbrar melhores condições sociais.

Apesar de serem muitas as razões para a não ocorrência de um crescimento econômico vigoroso e sustentado, com foco na melhor forma de mudar definitivamente o padrão de vida da sociedade brasileira, é possível resumir esse contexto na seguinte frase: “O Brasil tem características de país desenvolvido e necessidades de país emergente”.

Ou seja, se por um lado houve avanços importantes, como o processo de industrialização e urbanização iniciado no pós-segunda guerra, e que são características de países desenvolvidos, por outro lado as necessidades se concentram em elevar o nível de infraestrutura logística, reduzir o elevado nível de burocracia e baixar os custos de produção que, em parte, são observados em países emergentes. Porém, exclui-se dessa condição as questões de assistência social, educação, habitação e segurança.

Outro ponto importante, e que determinou a atual posição do Brasil no contexto econômico global, foi a manutenção da estrutura política do país anos a fio sob o regime de voto indireto que praticamente atrofiou o crescimento e desenvolvimento econômico atrasando em pelo menos três décadas o atual ciclo de investimento, produção e consumo que têm determinado mudanças nas classes sociais de menor renda.

Mais recentemente, ao longo das décadas de 1990 e 2000 (1991-2000 / 2001-2010), o mundo das finanças e negócios se transformou de forma significativa, e numa velocidade cada vez maior ano após ano, e com impactos relevantes e distintos
sobre a dinâmica macroeconômica entre os países desenvolvidos e emergentes.

Enquanto o grupo de países desenvolvidos perde constantemente sua posição majoritária na composição da riqueza global, os emergentes seguem avançando e devendo ocupar as primeiras colocações até 2035.

A origem dessa mudança está no avanço do processo de abertura de mercado das economias emergentes, na ampliação da internacionalização das empresas e no aprofundamento da globalização financeira. Nesse contexto é importante ressaltar, uma vez mais, e sem demagogia, que uma economia próspera, com melhora do padrão de vida e geração de emprego e renda, tem como seu principal fundamento um sistema financeiro sólido, portanto, é necessário evoluir na questão da regulação rígida do setor no hemisfério norte e reconhecer que a expansão da economia decorre dessa condição quase sine qua non.

O modelo de crescimento econômico observado no Brasil nos últimos anos, que tem se apoiado no consumo das famílias, via o fomento do crédito, não está esgotado.

Ou seja, mesmo sem as reformas necessárias para um crescimento qualitativamente melhor e sustentado ao longo do tempo, o país pode crescer com base no modelo atual por muitos anos sem comprometer a solidez do sistema financeiro nacional.

Isso porque, o nível de renda está em crescimento e ampliação de suas faixas em virtude do processo de qualificação, o sistema de concessão de crédito no Brasil é rígido e restritivo fortemente apoiado nas questões da solvência financeira das famílias, além de os atuais níveis de inadimplência permanecerem muito distante das condições críticas ou de alerta observadas nas economias desenvolvidas.

Por fim, é fato que o crescimento econômico brasileiro observado desde meados da década de 1990, como sempre a duras penas e que resistiu a diversos planos econômicos e crises mundiais, recai sobre a capacidade do cidadão brasileiro de se reinventar e equilibrar suas necessidades sociais e desejos materiais sobre as condições quase proibitivas ao consumo como as elevadas taxas de juros, carga tributária obscena e taxa de inflação altamente corrosiva ao poder de compra. 

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Alex Agostini é economista com formação pela Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas de Osasco e pós graduação em Métodos Quantitativos na Universidade de São Paulo. Tem passagem por instituições como MCM, Global Invest e GRC Visão. Atualmente, Alex atua como economista-chefe, responsável por ratings soberanos na Austin Rating e professor universitário na FAC-FITO.
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