Coréia do Norte explicada

Qual é o peso real da megalomania do gordinho Kim Jong Un? Num passado recente, quando o pai, Kim Jong Il vociferava ameaças contra o ocidente, muitos países já sabiam que haveria negociações em breve.

Este era um instrumento da Coréia do Norte para conseguir alguma série de recursos como remédios, comida e matérias primas. As ameaças duravam alguns dias e geralmente começavam quando a escassez atingia níveis críticos e acabam com o fim das sanções impostas pelos países.

Ainda sob a égide de Il, o país contava com o apoio da China, a qual também contribuía com recursos sempre que necessário. A manutenção do status quo é também um dos atributos deste instrumento, pois numa ditatura personalista como esta, o “grande” líder deve sempre mostrar seu poder.

O problema agora é que, apesar das aparências externas, o governo de Un não está às mil maravilhas. Considerado excessivamente novo por uma parcela conservadora (imagina o que é isso na Coréia do Norte) e sem o “carisma” do pai, o atual líder já se livrou de uma parcela de seus opositores, mas como não é uma unanimidade, não consegue se livrar da outra.

É neste contexto que nasceram parte das ameaças atuais. O gordinho precisa mostrar serviço e pior, precisa mostrar eu está à altura ou superior ao sei pai para se consolidar como o “grande” ditador.

Todavia, essa tentativa de consolidação de poder está tomando um vulto muito superior a quaisquer movimentos já criados anteriormente. A movimentação de misseis a leste do país, ou seja, em direção ao Japão já foi detectada por satélites americanos.

Os EUA enviaram a Guam, uma ilha americana no meio do pacífico, o sistema mais moderno antimísseis já criado e o alerta já é considerado alto. Para Un o cenário está péssimo.

Na China, membros do Partido Comunista simplesmente se recusam a apoiar as empreitadas do louco e já disseram que não consideram a movimentação americana na região como ameaça à China. A Rússia, muitas vezes alinhada a países como Síria e Irã lavou as mãos neste caso.

Num breve histórico, a experiência socialista se mostrou fracassada desde a década de 80, quando os meios de produção dos países alinhados ao Marxismo não conseguiam resistir às mudanças dos novos tempos.

Na vanguarda de todos e mesmo antes da Rússia, a China começou um processo de “capitalização” do país, onde o modelo de controle do estado continuava comunista, porém o de produção se igualava ao capitalismo em seus primórdios.

Isso se deu início com Deng Xiao Ping e a aproximação do presidente americano Jimmy Carter na década de 70. Desde a queda do muro de Berlin e o fim do conceito do comunismo como forma de governo, diversos países se alinharam com sucesso ao novo estado.

Na Alemanha, o fim do bloco oriental foi total e irrestrito, assim como o comunismo na antiga União Soviética e seguindo o modelo chinês, o Vietnã implantou mudanças que contribuem para o crescimento do país até hoje.

Sem o apoio da ex-URSS, sobraram Coréia do Norte, Laos e Cuba. Estes países não se alinharam aos ideais do mercado por serem controlados por ditaturas extremamente paternalistas, longe dos modelos de partido e alternância de poder das outras nações socialistas.

Hoje, são países extremamente limitados, com um sistema de produção antiquíssimo, deficiente na maioria dos setores e com ganhos limitados a outros como saúde e educação (somente no caso cubano).

No caso da Coréia do Norte, a situação chega ao extremo do país parecer ter parado no início dos anos 70, como relatam os poucos viajantes que lá aportaram. Mesmo que Cuba pareça estar nos anos 50, isso ainda se reserva como um dos seus “charmes” turísticos e no caso cubano, o fato de Fidel ainda estar vivo é o que atrasa diversas mudanças em andamento, pelo grande respeito que os atuais governantes, e seu irmão, têm por “El Comandante”.

Deste modo, Un está completamente isolado. Pensando num cenário de pior dos casos, caso um míssil consiga atingir a Coréia do Sul, ou pior, o Japão, é só lembrar-se dos efeitos da queda na produção industrial japonesa no PIB mundial após os efeitos do Tsunami recente.

Isso só cito os efeitos práticos, pois a elevação da volatilidade e do pânico mundial tende a ter efeitos duradouros na tentativa de recuperação global dos eventos de 2008/2011.

Na prática, o movimento do anão de jardim gordinho estúpido norte coreano seria o equivalente a um Jim Jones em escala nacional, ou seja, um suicídio coletivo do país. Uma informação que poucos sabem: o sistema antimísseis da China TAMBÉM está apontado para alvos norte coreanos.

Do momento que um caminhão de transporte de mísseis sinalizar calor, ou uma comporta subterrânea se abrir, estes serão abatidos ainda em solo norte coreano e se ocorrer à detonação nuclear, veremos os primeiros eventos deste tipo desde Hiroshima e Nagasaki.

É pessoal, devemos torcer para que os movimentos do mimado Un sejam na realidade uma grande cortina de fumaça para encobrir, mais uma vez, a incapacidade deste regime se manter nos atuais padrões ditatoriais. Aliás, de cortina de fumaça entendemos muito, não é Sr. Feliciano.

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Jason Vieira é o Editor-Chefe e Diretor Geral da MoneYou e executivo sênior da X-Infinity Invest. Com mais de 20 anos de mercado, já ocupou cargos de estrategista, CIO, economista-chefe e analista internacional em instituições como Apregoa.com, UpTrend Advisors, GRC Visão, KGP, CM Capital Markets, Sanwa Bank, CLSA, JP Morgan, Santander, entre outras. Economista formado pela Universidade Mackenzie, possui diversas extensões de mercado financeiro e economia, com forte foco internacional.
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