Eram os bons tempos – Bovespa

É isso aí, é culpa minha. Anunciaram e eu travei mesmo. Pô, eu sei que tem editor coisa e tal, mas é que travei mesmo.

Sou eu o Gordon Gekko. Não vou dar minha ficha aqui que tô em banco e sabem como é, mas vou dizer que entrei nesse mercadão de peixe em 85, na velha Bovespa.

Era um tempo meio loco, eu com 21 anos, cheirando leite e entrando naquele matadouro. Achei que não ia aguentar. Olha, eu tô meio cagando pros erros de português, o Jason arruma depois.

Pra mercado financeiro, era um pusta lugar legal pra doido que não queria estudar e ganhar grana. Comecei de auxiliar de pregão na corretora… Ah, num falo não, já fechou. Comecei de auxiliar naquela locura. Estranhei no começo aquela boleta que parecia um jogo de loteria e a parada toda parecia um jogo de loteria.

Um dia, rangando um PF na Líbero, perguntei meio de bestão prum operador como é que se ganhava grana naquilo.

Não tava querendo entrar no esquema, eu não sacava como funcionava mesmo. Mas o cara entendeu errado e bom pra mim, ele começou a dar a fita toda. Fiquei de olho e conheci umas coisas como Zé com Zé, rasgar, bidar, tungar, detonar, totó, duque, terno, quina gomalina, galo, kilo, perna, enfiada, escovada, Ave Maria, nada na mão, papagaio, dar, tomar e zerar. Isso aí num é metade do que a gente falava lá.

Véi! Com o tempo comecei a repetir as paradas pra tudo lugar, no almoço operava até grão de feijão no prato e palitinho no palitero. Jogava dudo insano e vi que tava em casa. Não curtia as paradas que rolava, pois operador ganhava muita grana f… cliente e muito na física, não dava nem pra passar um pano.

Não sou santo, mas a consciência pesava um tantão nessas. Um ano foi e era operador, quando abriu a BM&F. Prédio bonito, piso novo, mas com meia dúzia de doido operando. Um irmão da Magliano falou que lá era o futuro, que contrato lá ia girar milhão.

De começo não acreditei, mas aquele preto com dourado me deixava curioso e tava meio sem tesão da roubalheira do pregão da bolsa. Em 87 troquei de corretora e fui ver o que era essa parada de futuro. No começo foi meio devagar, era CBD e ouro. Um pouco depois aquilo ficou lindo, dava uma grana monstro e sem o peso na consciência de tungar a herança do tiozinho de Sorocaba.

Vou cantar uma parada aqui, quem operou até o fechamento de cada bolsa, não ganhou tudo bonitinho não. Eu recebia o que seria hoje um fixo de um kilo, mil reais, mas no envelopinho a brincadeira ficava séria, xará.

O esquema era bonito, o cara na mesa era broder do cara do banco e o banco girava um cagalhão de contrato todo dia, mas o banco tinha mais umas 50 corretoras pra desovar isso, então ficava tudo doido em cima dos traders, o cara do banco, pra passar ordem.

O jeito era encantar o cara, ficar irmão mesmo e fechar um esquema bão. Era assim, o cara do bancão combinava o dia, ligava na mesa e descia a lenha num operador só. Esse aí ligava pra gente lá no pregão e o terror começava.

Pra desovar aquilo, sozinho não dava, então a gente se arrumava com os amigos. Fechava no dia, a corretagem era um absurdo, dava pra ficar rico, mas não era pra gente não.

O cara da corretora, o broker, recebia a metade dele da corretagem. Ía lá, pagava tudo imposto e vinha o livre pra conta.

Desse livre, mas da metade voltava pro trader e esses caras é que era tudo rico e uns tão rico até hoje. O resto, ficava metade pro cara da mesa e da nossa metade, a gente dividia se tivesse rolado ajuda de alguém, tudo no envelopinho.

Pra manter esse trader feliz, corretora não economizava nada. Era happy hour, regado a whisky de primeira, puta do Photo e do Conection e até férias pagas na gringa.

Nessas, virei alcoólatra. Era muito goró de terça a sexta. É sério mesmo, antes de ir pro pregão, descia de metrô na São Bento e tomava um rabo de galo na Boa Vista. Só começava o dia assim.

A parada ficou boa quando me ligaram direto com o cara do banco. Ele falava que eu era loco e que o cara na mesa só me atrapalhava. Ficou mais lindo ainda. Comprei casa, carrão, fiz a cagada de casar e ajudei meus pais. Nada mal pra um moleque da Vila Esperança que ninguém dava nada.

E me disseram que os caras que ganharam grana de verdade eram os da década de 70, MANO então a coisa piorou e eu achava lindo…

 

ESTE TEXTO CONTINUA NA PRÓXIMA SEMANA

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The point is, ladies and gentleman, that greed, for lack of a better word, is good. Greed is right, greed works. Greed clarifies, cuts through, and captures the essence of the evolutionary spirit. Greed, in all of its forms; greed for life, for money, for love, knowledge has marked the upward surge of mankind.
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