Realismo no Brasil – Sem crescimento, sem resultado

Voltamos hoje nossa onda de realismo ao Brasil. O Tesouro Nacional divulgou o resultado do governo central em novembro, onde um déficit primário de R$ 4,3 bilhões se chocou contra um superávit anterior de R$ 9,9 bilhões.

A redução da receita líquida é consequência direta dos programas de renúncia fiscal, ou seja, os incentivos de IPI em automóveis, linha branca e outros. O resultado é a queda na arrecadação, já que as despesas se mantiveram exatamente no mesmo nível.

Em outubro, o governo central teve R$ 78,8 bilhões de receita contra R$ 68,9 bilhões de despesas, enquanto em novembro, as receitas caíram para R$ 64,8 bilhões e as despesas repetiram o resultado do mês anterior.

O resultado primário acumulado apresentou perda de receitas de R$ 31,1 bilhões em 2012. Isso tudo significa que ainda estamos com problemas para atingir as metas fiscais deste ano e pior, com todos os incentivos que o governo deu à economia, o resultado no PIB será risível e a produção industrial deve apresentar queda próxima a 6% contra o mesmo período do ano passado e de 1% contra novembro.

As manobras contábeis, como citamos no artigo “A contabilidade criativa do governo” dão a sensação de que o governo quer mais se enganar do que enganar aos outros.

É neste ponto em que deve começar a rever suas premissas e a nota para imprensa de politica fiscal do BC amanhã será muito importante.

Não crescemos ao focarmos em políticas econômicas excessivamente localizadas e nem de longe abrangemos os problemas históricos que fazem a produtividade do Brasil ser o que é, cara e ineficiente.

O governo agora tenta com unhas e dentes ancorar as expectativas em geral de modo positivo, com programas de incentivo à logística e mais injeção de recursos, com renúncias fiscais.

Agora a presidente insiste na ideia de que podemos cortar ainda mais os juros. Sinceramente, sou um dos maiores advogados de quanto menores os juros, melhor para a economia, porém, deixar de lado toda a série de problemas histórico-estruturais do Brasil simplesmente não vai apagar o problema como quer o governo.

A palavra de ordem é e sempre será no Brasil “reforma tributária” e até que isso aconteça, continuaremos com uma matriz de custos elevadas, mão de obra mal remunerada (em termos reais e tributários) e uma produtividade reduzida.

Ainda temos educação, saúde e política para cuidar neste país, porém ao endereçar a uma concreta reforma tributária, traremos o Brasil ao primeiro mundo dos negócios e extirparemos o fantasma da burocracia excessiva que cerca esta nação desde sua fundação.

O plano Real foi vital, a mudança no indexador da poupança, consequentemente dos juros também e se completarmos o cenário com cobrança racional de impostos, finalmente teremos os ativos de crescimento sustentável.

Senão, continuaremos a operar por tentativa e erros. Com muitos erros. E novamente, isso não é pessimismo, é uma grande dose de realismo, pois independente de governo, o importante é ver este país crescer.

 

 

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Jason Vieira é o Editor-Chefe e Diretor Geral da MoneYou e executivo sênior da X-Infinity Invest. Com mais de 20 anos de mercado, já ocupou cargos de estrategista, CIO, economista-chefe e analista internacional em instituições como Apregoa.com, UpTrend Advisors, GRC Visão, KGP, CM Capital Markets, Sanwa Bank, CLSA, JP Morgan, Santander, entre outras. Economista formado pela Universidade Mackenzie, possui diversas extensões de mercado financeiro e economia, com forte foco internacional.
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