Um último tango

Este fim de semana foi permeado por notícias de saques na Argentina, o que se mostrou como surpreendente para muitas pessoas. Com grande foco na Europa e EUA, a situação do vizinho portenho tem sido deixada de lado, porém é algo que deveríamos prestar muito atenção.
A inflação argentina não inspira nenhuma confiança há mais de 5 anos, onde somente os índices privados tendem a ser levados em conta. Este é só um dos desastres do governo, o qual se fixa no populismo peronista para tentar encobrir erros crassos de comando.
Como a crise de 2008 atingiu em cheio o país, Kischner buscou uma série de medidas heterodoxas para tentar reaquecer a economia e proteger a indústria local. Entre elas estão as de câmbio, que restringem remessas de lucros e dividendos, compra de divisa como investimento pessoal e redução da oferta de dólares para viagens.
Para o governo, isso reverteria a cultura de se poupar em moeda estrangeira e transferiria recursos à cadeia produtiva, porém o resultado foi uma disparada do câmbio paralelo, elevando ainda mais o potencial inflacionário da divisa, mesmo que o oficial seja controlado pelo governo.
Com um PIB que depende quase 60% da pecuária, a qual tem seus preços dolarizados em praticamente toda a cadeia, a desvalorização do Peso Argentino poderia se traduzir como positiva, porém o contrário vem ocorrendo.
Foi baixada recentemente uma forte taxação adicional de 14% sob a importação de bens de capital para incentivar a indústria local, além de todas as restrições tributárias e burocráticas às outras importações.
O resultado é o desabastecimento. Farmácias não têm remédios em suas prateleiras, pois a indústria não consegue importar insumos para sua produção. Faltam peças de veículos automotores, eletro-eletrônicos, suplementos médicos e artigos domésticos.
Essa redução na oferta tem o fim mais óbvio da academia econômica, a inflação. Os preços estão altos em toda a cadeia de consumo e isso se assemelha muito ao Brasil nos anos 80, onde a economia não reagia e mesmo assim a inflação crescia a cada dia.
A pretensa proteção à indústria local não só tem levado ao desabastecimento, mas também ao fechamento de diversas empresas e elevando o desemprego, o qual subiu ao maior nível desde 2010 (7,6%), segundo dados oficiais, obviamente.
Neste processo, a Argentina elevou sua taxa de juros a 15,2% ao ano, criando mais um empecilho ao crescimento, com a elevação dos custos de captação de recursos.
Houve um corte maciço de investimentos públicos, o que restringiu o efeito dos gastos no aquecimento econômico e reduziu os cortes de impostos e subsídios. A nacionalização dos fundos de pensões privados foi outro tema polêmico, pois buscava garantir que os mesmos não ‘quebrassem’ para evitar um problema com as aposentadorias, porém o processo foi excessivamente custoso e pesa cada vez mais no orçamento.
Não há surpresas. A comoção social é clara e já toma as ruas, numa grande série de protestos que o governo insiste em minimizar em força e dimensão. Mesmo com as restrições consideráveis à liberdade de imprensa impostas no início deste ano, a insatisfação popular é crescente em níveis alarmantes, o que pode ter deflagrado os saques deste fim de semana.
Adiciona-se a isso tudo a possibilidade de uma moratória técnica que foi temporariamente afastada (até fevereiro de 2013), quando um tribunal de apelações de NY suspendeu o pagamento de US$ 1,33 bilhão a dois fundos de investimento especulativos das Ilhas Cayman que não aceitaram os termos da moratória de 2001 e demandavam os recursos agora.
Foram pagos há 10 dias US$ 3,5 bilhões a credores que aceitaram os termos das renegociações, algo visto como positivo pelos investidores, porém a dívida externa argentina saiu de US$ 116 bilhões em janeiro de 2010 para US$ 142 bilhões até a metade deste ano.
A relação dívida/PIB caiu de 58,7% para 44,2% afasta um novo cenário de moratória momentaneamente, porém a deterioração econômica pode colocar a Argentina no mesmo nível dos países europeus em crise: Sem perspectivas, com atividade econômica debilitada, desemprego em alta e podendo em breve buscar auxílio internacional, caso o orgulho portenho deixe.
Pois é, com tanto problema no hemisfério norte, temos um grande logo aqui ao lado.

 

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