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Pane na B3 transformou último pregão de julho em “dia perdido”, diz economista Jason Vieira – CNBC

KEY POINTS

  • Jason Vieira afirma que mesas de operações ficaram praticamente metade do dia sem negociar.
  • Falha expôs fragilidades tecnológicas e a dependência do mercado brasileiro de uma única operadora.
  • Retomada ocorreu com baixo volume, após operadores desistirem de voltar ao mercado, segundo o economista.

A pane que interrompeu as negociações na B3 transformou o pregão desta sexta-feira (31) em um “dia praticamente perdido” para operadores e investidores, segundo Jason Vieira, economista-chefe da Lev Intelligence.

Em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC, Vieira afirmou que a paralisação deixou mesas de operações sem atividade durante boa parte do dia e prejudicou estratégias que dependiam do acompanhamento dos mercados internacionais.

“Para aqueles que operam, foi um dia praticamente perdido”, disse.

A negociação foi normalizada por volta das 12h47, mas o retorno ocorreu com baixa liquidez. Segundo o economista, parte dos operadores de bancos, gestoras e corretoras não retomou as atividades depois do almoço.

“O pessoal simplesmente foi embora, porque não dá para ficar esperando, parado o dia inteiro, sem fazer nada. Você estraga as estratégias e não consegue acompanhar o mercado internacional”, afirmou.

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Falha expõe fragilidades tecnológicas

Vieira classificou o episódio como grave e afirmou que a interrupção levanta questionamentos sobre a infraestrutura tecnológica do mercado brasileiro.

Segundo ele, a falha coloca em discussão os sistemas de envio de informações, armazenamento em nuvem e os mecanismos de segurança e redundância necessários para impedir paralisações prolongadas.

“É inimaginável você ver lá fora que não haja uma série de backups e que uma bolsa fique fechada por metade do dia”, afirmou.

O economista também relacionou o episódio à concentração da infraestrutura de negociação em uma única operadora.

Para Vieira, a existência de concorrência poderia reduzir custos para corretoras, bancos e gestoras, além de diminuir a dependência de um único sistema.

Investidor estrangeiro pode ver falha com preocupação

Vieira afirmou que o problema não deve ser tratado como uma falha operacional menor, especialmente diante da percepção dos investidores internacionais sobre a qualidade da infraestrutura do mercado.

“Não é algo que você possa levar de maneira leve. Expõe que existe uma questão a ser cuidada na tecnologia e que o mercado é frágil em alguns sentidos”, disse.

Apesar disso, o economista avaliou que o episódio, isoladamente, não deve provocar uma saída expressiva de recursos estrangeiros.

Segundo ele, fatores como liquidez, juros elevados e a menor preferência recente por mercados emergentes têm peso maior nas decisões dos investidores externos.

“A falha é só mais um elemento em um conjunto de coisas que já têm acontecido”, afirmou.

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Fechamento teve baixo volume

A bolsa encerrou o dia em leve alta e interrompeu uma sequência de quatro meses de perdas. Vieira, no entanto, disse que o desempenho desta sexta-feira não permite uma análise consistente do mercado diante do volume reduzido de negociações.

“O dia de hoje foi um dia perdido. O que sobrou foi baixíssimo volume e o resto do mercado só”, afirmou.

Segundo o economista, a interrupção também atingiu contratos futuros e operações de câmbio, prejudicando a formação de preços em diferentes segmentos.

Vieira afirmou que o avanço mensal da bolsa esteve mais relacionado à valorização do petróleo e à melhora internacional do apetite por risco do que a fatores específicos do mercado brasileiro.